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segunda-feira, 12 de março de 2012

A GLÓRIA DAS CICATRIZES



"...pois tu me levantaste e me abateste". Salmos 102:10


Ninguém gosta de portar cicatrizes.
Elas são o atestado das nossas lutas e, inevitavelmente, atribuídas ao fracasso, ao erro, ao infortúnio.


Elas chamam para quem gosta de apontar dedos, aos escarnecedores, aos religiosos, aos cheios de justiça própria, a atenção para o que saiu errado, para os seus possíveis motivos punitivos.


Já ouvi certa vez, que devia-se desconfiar de todo homem de Deus que não as possui. E simplesmente pelo fato de que elas mostram uma certa experiência, nunca sem dor ou sem desassossego. E com Deus.


Nesse salmo, David não deixa dúvidas - Deus o levantou. E Ele também - não o diabo, não os inimigos, não a criatura, não as circunstâncias. E, como tudo o que Ele faz, com um propósito.
Ninguém gosta de exibir as suas mazelas. Os pés de barro. Alguns, não conseguem escondê-las. Preferem as máscaras e as próteses e essas, quanto mais perfeitas e imperceptíveis, melhores.


Hoje valorizo as minhas cicatrizes que continuam a vir sobre mim. Tenho descoberto que elas não me diminuem, mas, ao contrário, me levam mais perto de Deus e acabam como marcas desses "encontros".


São lembretes. Da nossa condição de fragilidade e pequenez, e no fim, quando fechadas, atestam sempre que passamos por Deus e saímos crescidos e mais conhecedores da Sua graça e bondade. O Caio Fábio disse certa vez: "Não há um homem de Deus, que não tenha sido elevado e depois abatido por Ele". Lembremo-nos de Jacó, de Elias, de David, de Daniel, de Paulo e de tantos outros. Não saíram mais os mesmos depois disso.


E, como me ensinou Alan Brizotti, um amigo querido: "Elas acabam sendo úteis para curar a outros". Não são os êxitos que curam. Mas o que ficou em nós depois da provações e lutas com Deus.


Como foi com Jesus (Homem de dores e que sabe o que é padecer!) que, mesmo depois de voltar dos mortos e com um corpo bem diferente do que tinha (que até podia ultrapassar portas e paredes), manteve uma coisa especial do corpo anterior - os sinais dos cravos. E com eles, curou o incrédulo Tomé.


A minha oração é que eu valorize cada minuto nesse processo de "marcação". E em silêncio, sem queixume ou apontamento de possíveis promotores desse momento para além de Deus, acertando-me com Ele. E valorize, o que quase ninguém quer. Que talvez até os anjos desejassem se lhes fosse permitido, mas que hoje, aos humanos, não trazem sucesso algum.

COISAS QUE DEUS NUNCA PROMETEU



Deus nunca prometeu facilidades. A vida cristã é caminho de cruz. É andar nas trilhas íngremes das tribulações. É aprender a morrer. Jesus chama seus discípulos e avisa: "Vou rogar ao Pai e ele vai enviar outro Consolador" (Jo. 14. 16). Ora, consolo não é para quem está na festa, no shopping ou no parque de diversões, mas para quem está no luto, na crise, na dor. Essa é a promessa que Jesus fez: Preparem-se para as perdas! O Consolador é uma certeza!

Deus nunca prometeu sucesso em tudo. Principalmente o sucesso sob o ponto de vista da sociedade estranha de hoje. Sucesso para Deus é um retorcido numa cruz salvando o mundo de seus pecados! A lista das bem-aventuranças mostra o tipo de gente que Jesus abençoou com o adjetivo "Felizes": pobres de espírito, os que choram, mansos, famintos e sedentos por justiça, misericordiosos, puros de coração, pacificadores, sofredores e os injuriados e perseguidos pela causa de Cristo (Mt. 5. 3-11). Ou seja, dessa lista exclui-se grande parte dos líderes religiosos dessa igreja/circo da atualidade.

Deus nunca prometeu uma série de outras coisas que se inventam todos os dias nas igrejas. Por exemplo, ele nunca prometeu compensação imediata em troca das ofertas (o próprio termo "ofertar" já implica um doar desinteressado). Ofertas, na Bíblia, sempre vêm acompanhadas de sacrifício (viúva pobre, por exemplo (Lc. 21. 1-4)). Hoje, oferta-se não mais com a dor do sacrifício, mas com a ansiedade do retorno. Já não é oferta, mas investimento no banco da celestialidade.

Não quero promessas de homens. Quero permanecer firme nas promessas do meu salvador. Principalmente na maior de todas: "Eis que venho sem demora" (Ap. 22. 12).

Sola Gratia!



A CAMA , O TRONO E O PALCO



A cama, o trono e o palco. Três lugares de desejos, objetos que alucinam sonhos. Na mistura altamente explosiva que esses ingredientes manipulam, os olhos e o coração padecem do mesmo deslumbramento. São vítimas e algozes da mesma perdição. Essa outra trindade assalta a alma, habita na dimensão do encantamento. É emissária de morte.

Deus é amor. Essa outra trindade é desejo. Seu centro é o lucro. Não importa o caminho, o meio. Para essa trindade perigosa é a satisfação imediatista de suas vontades que importa. O que determina, legitima sua atuação, é o quanto pode ganhar - seu outro nome é "vantagem".

Seu templo é o mercado. Seus sacerdotes são os marqueteiros, magos da espiritualidade de autoajuda e poder. Suas sacerdotisas são as neo-ninfas da indústria da moda, que Bernard Shaw definia como "uma epidemia induzida". Essa outra trindade e suas "princesinhas do caos" infectaram a mente moderna com o vírus do sucesso a qualquer custo, o sucesso sem dor.

Tanto o sexo como o poder e a fama são estradas sinuosas, rodeadas pelos mais profundos abismos. Suas trevas são tão densas que causam a ilusão da impossibilidade da luz. Quado nosso coração é assaltado por esses ladrões de essências, ficamos seriamente comprometidos com o mundo, avassaladoramente perdidos.

Não brinque com esses monstros da alma. Não permita que seus olhos sejam iludidos pelos brilhos das vitrines que esses holofotes da fama oferecem. Guarde seu coração dos convites da cama, das facilidades do poder e das armadilhas da fama. Peça o auxílio do Espírito Santo, pois somente através dele podemos vencer a tirania dos desejos e entronizar Cristo nos corações.

Como disse A. Raine: "Você pode atingir o topo da escada e então descobrir que ela não está apoiada na parede certa".

Até mais...
Alan Brizotti



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