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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E A PEDRO


   PALAVRA MINISTRADA NESTA QUARTA-FEIRA 02/02/11 EM NOSSO CULTO DA VITÓRIA






INTRODUÇÃO: O Evangelho de Marcos registra que, após a ressurreição do Senhor, um anjo disse a algumas mulheres para contar aos discípulos do Senhor e a Pedro o que acontecera. Oh! "E a Pedro". Isso enche os nossos olhos de lágrimas. Por que ele não disse: "Dizei a Seus discípulos e a João?" (João era o amado do Senhor). Por que não disse: "Dizei a Seus discípulos e a Tomé?" (Tomé duvidou da ressurreição do Senhor). Será que havia algo em Pedro que era tão diferente dos demais? Quem era Pedro?

1. Pedro foi um homem auto-suficiente: Mt.26.31-35

2. Pedro foi alguém que queria vencer na força da carne: Mt.26.47-51

3. Pedro foi alguém que seguiu a Jesus de longe: Mt. 26.57,58

4. Pedro foi alguém que negou a Jesus: Mt. 69-75

Pedro não confessou o Senhor diante dos homens, nem mesmo diante de uma humilde criada. Mas o Senhor queria que alguns fossem dizer a Seus discípulos e a Pedro sobre a Sua ressurreição. "E a Pedro" — quão profundo é o significado dessas palavras!

O que significa essa expressão de Jesus: “E a Pedro”?

E a Pedro significa...

I- QUE O SENHOR NOS AMA APESAR DAS NOSSAS FALHAS(V.7)

1.1. Todos nós temos a tendência de ser refratários com as pessoas que erram conosco. Muita gente diz: “comigo só faz uma vez!”. “Só erra comigo uma vez”.

1.2. Mas Jesus que é o nosso padrão, nos diz que apesar dos nossos erros ele continua nos amando. Deus odeia o pecado, mas ele não diminui o amor pelo pecador.

* Pedro negou a Jesus três vezes, se escondeu, abandonou-o no momento que ele mais precisava. Mas mesmo assim Jesus continuou a amá-lo.

* O Diabo, tenta passar a idéia de que uma fez que você falhou Deus não ama mais você. Alguns pais também erram na hora de disciplinar os seus filhos dizendo: “Você fez algo muito feio, Papai do céu , não gosta mais de você”. E muitas vezes estamos gerando na mente dos nosso filhos a idéia de um Deus raivoso, irado, e que está pronto a nos castigar quando erramos.

· Mas essa mensagem mudará sua vida para sempre: Dizei aos discípulos e a Pedro: “ Pedro , eu passei três dias no seio da morte, desci até o abismo, mas Pedro eu ainda amo você. Pedro eu ainda acredito em você. Salmo 103.8-14.

E a Pedro significa...

II – QUE O SENHOR É UM DEUS DE SEGUNDA CHANCE(V.7)

2.1. Jesus se antecipou em dizer: “Diga a Pedro que eu vou para a Galiléia, eu quero que ele esteja lá na reunião. Pede pra ele não faltar”. Se Jesus não falasse especificamente o seu nome, Pedro não iria aguardar por Jesus. Mas o Senhor teve o cuidado de mencionar às mulheres especificamente o nome de Pedro.

· Oh! este era um Pedro que caíra, um Pedro que pecara e um Pedro que negara o Senhor; no entanto, o Senhor ainda o men­cionou especificamente.

· Este é o evangelho! Irmão, você sabia que uma vez que o Senhor o salvou, Ele o salvará até o fim? Fp. 1.6

· Ainda que você esteja desencorajado, o Senhor jamais estará desencorajado. Apesar de você pecar e se sentir desconsertado de voltar a Ele, do lado Dele, no entanto, não há qualquer razão para não voltar.

* Talvez como Pedro você esteja dizendo: “temo que o Senhor já me abandonou”. “O Senhor nunca mais voltará a me pedir algo”. Mas ele enviou uma mensagem através das mulheres: Dizei aos discípulos “E a Pedro”. Isso significa que O Senhor ainda o amava, que o Senhor estava disposto a perdoá-lo e a começar novamente.

E a Pedro significa...

III – QUE O SENHOR É UM DEUS DE GRAÇA(V.7)

3.1. Marcos era um jovem; ele foi discípulo de Pedro e aprendeu muito dele. Podemos dizer que o Evangelho de Marcos foi ditado por Pedro e escrito por Marcos. Quando o Espírito Santo escreveu a Bíblia, Ele especialmente mostrou-nos que as poucas palavras que pareciam ser insignificantes para Mateus, Lucas e João, eram inesquecíveis para Pedro, quem narrou o Evangelho de Marcos.

3.2. "E a Pedro" tinha um significado especial para ele. Em todo tempo, a recordação dessas palavras era doce. A palavra da graça é especialmente memorável para aquele que a recebeu.

3.3.Três dias após a morte do Senhor, Pedro estava calado porque tropeçara, mas o Senhor não o esqueceu. Pedro não podia entender isso. Talvez ele pudesse dizer: “O que eu fiz para merecer tão grande amor?” “ O que eu fiz para merecer o seu perdão?”

Talvez esse seja o pensamento de muitos. Mas se você abrir os seus ouvidos espirituais você ouvirá dos lábios do Senhor o mesmo que Pedro ouviu: “Não foi o que você fez meu filho. Foi o que eu fiz! “No dicionário de Deus tem uma palavra para isso: Graça!

· "E a Pedro" também significa " e a você" - você que falhou como Pedro! Você que caiu, você que tropeçou, você que negou o Senhor. Você que está tentando se esconder dele. Você que está com vergonha.

· Aceite a oportunidade que Deus lhe concede de ser perdoado e restaurado como Pedro foi.

“Minha graça te basta pois meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’’ ( II Co 12;9 )

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A MAIOR DE TODAS AS LOUCURAS


“E propôs-lhes esta parábola: O campo de um homem rico produziu com abundância. Então ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lc.12:16-21).
Jesus contou esta parábola na ocasião em que fora procurado por um homem que disputava uma herança com seu irmão. Em vez de tomar partido, Jesus lhe chama a atenção pela avareza de seu coração, e diz que a vida do homem não consistia na abundância dos bens que possuía.
Imagine dois irmãos que cresceram juntos, receberam a mesma educação, e que deveriam se amar, agora, depois da partida de seu pai, tornam-se inimigos. Tiago estava certo ao perguntar: “De onde vem as guerras e contendas entre vós? Não vêm disto, dos prazer que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, mas nada tendes. Matais e invejais, mas não podeis obter o que desejais...” (Tg.4:1-2a). Tudo isso porque insistimos no erro de amar as coisas e usar as pessoas para obter o que desejamos. Que revolução experimentaríamos em nossa sociedade se aprendêssemos a usar as coisas e a amar as pessoas!

Desde cedo em nossas vidas, aprendemos a comparar o que temos com o que os outros possuem. Daí nasce a inveja, a competitividade e as desavenças. Quem não lembra do momento em que a família se reunia para abrir os presentes de natal? A gente abria o presente mirando o presente do irmão, e se perguntando a razão do dele parecer maior que o nosso.

A grama do vizinho sempre parece mais verde que a nossa. Ficamos mais incomodados com o sucesso alheio do que o nosso próprio fracasso. E tem gente que se atreve a recorrer a Deus em busca de uma explicação, ou mesmo de uma restituição. Acham que Deus tem a obrigação de repartir todas coisas igualmente. Foi exatamente o que aquele homem fez, e acabou ouvindo de Jesus: “Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?”

Compete aos homens repartirem entre si. A terra e todas as suas riquezas estão aí para serem compartilhadas e não concentradas em poucas mãos. Não é o governo, nem qualquer instituição humana que deve intrometer-se nisso. É a consciência transformada pela graça que nos estimula a repartir nosso pão. O que precisamos não é de novas leis que nos obriguem a isso, mas de novas referências que nos estimulem a isso.

Quem tem sido nossa referência de sucesso? Em quem nos espelhamos? Muitos cristãos sinceros elegeram Bill Gates, considerado o homem mais rico do mundo, como o alvo a ser perseguido. – Quero ser como ele quando crescer! Diriam alguns. Outros elegeram os pastores das megaigrejas, que aparecem com freqüência na TV. Outros elegeram personagens revolucionários da história, como Che Guevara, Gandhi ou Mandela. Outros preferem grandes nomes do cinema ou dos esportes. Todos têm em comum a fama e o sucesso naquilo que se propuseram fazer, seja no campo empresarial, político, cultural ou religioso. E quem não almeja o sucesso? Quem não gostaria de ser reconhecido, ter seu nome nos anais da história, exibir troféus e medalhas, ter suas pegadas gravadas na calçada da fama?

Nesta parábola contada por Jesus, é-nos apresentado um homem que sem dúvida poderia ser tomado como exemplo de sucesso em nossa sociedade capitalista. Naquele ano, seu campo produziu em abundância (Lc.12:16). Para os ouvintes imediatos de Jesus, aquilo era sinônimo de sucesso. Ele já era rico, e agora ficara mais rico ainda. Teria coisa melhor que isso? Por causa de seu ininterrupto sucesso,“ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens”. Para ele, seu único problema era logístico. Onde armazenar tudo aquilo? Em momento algum ele considerou repartir seus frutos com outros. Seu objetivo era amealhar, concentrar, preservar e desfrutar sua riqueza.
Nossa sociedade capitalista vive num círculo vicioso. Quanto mais produz, mais necessita de consumo. As pessoas são bombardeadas de propagandas que as estimulam a acumular bens, até que não tenham mais onde guardar.


Se o consumo cai, a produção é afetada, e isso acaba provocando demissões e desemprego. Para manter o pique da produção, o governo estimula as empresas a exportarem.

O século XXI deverá ser caracterizado como o século do desperdício. Para manter a economia aquecida, as pessoas compram o que não precisam. Novas tecnologias surgem, e com elas, novas necessidades. A roda não pode parar!

As pessoas são levadas a acreditar que a aquisição e o acúmulo de bens, além de produzir conforto material, também elevam seu status, garantindo-lhes realização e satisfação.

Vendo seus celeiros abarrotados, aquele homem convidou sua alma para uma conferência:
“Então direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.”

Quem não almeja este estado de espírito? Quem não quer se realizar profissionalmente? Garantir uma aposentadoria regalada? Este é o sonho de consumo de onze em cada dez pessoas. E em certo sentido, não há nada de errado com isso. O livro de Eclesiastes está aí para justificar tal postura.

Então, por que Jesus encerra a parábola dizendo que Deus o chamou de louco?
“Mas Deus lhe disse: LOUCO, esta noite te pedirão a tua alma. Então o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”

Sua farta colheita lhe garantia o que vender por muitos anos. Seus grãos estavam bem guardados e prontos para serem consumidos. Seus armazéns estavam prontos para serem concorridos por uma clientela exigente.

Era hora de descansar e deixar que seus empregados trabalhassem na venda de seus produtos. O que ele não esperava era que naquela noite alguém pediria sua alma.

Se pedissem trigo, ele tinha de sobra. Se pedissem vinho, ele tinha estocado. Se pedissem azeite, idem. Mas que estória era essa de pedir sua alma?

Este tem sido o preço pago por nossa sociedade em seu afã de acumular bens. Nossa alma está hipotecada. Nossa cama confortável é incapaz de nos garantir um sono tranqüilo. Nossa geladeira abastecida é incapaz de garantir que tenhamos um momento de comunhão à mesa com nossa família. Nossa lareira é incapaz de aquecer o frio que nos faz tremer por dentro. Nossas TV’s de LCD podem até nos distrair, mas não podem preencher o vazio de nossa alma. Nossas férias não podem nos prover genuíno descanso.

Nossa alma foi negociada juntamente com os produtos e serviços que oferecemos. E a reboque, nossa família tem sido preterida, os verdadeiros amigos desprezados e trocados por colegas do mesmo ramo. Chega um momento em que já não temos com quem compartilhar nossas realizações e ficamos a sós com nossa alma. Tentamos, então, driblar nossa consciência, tranqüilizando nossa alma, convencendo-a de que valeu a pena todo o sacrifício. Noites mal dormidas, casamento destruído, filhos perdidos no mundo, tudo isso foi o preço que tivemos que pagar por algo que desse maior prazer à nossa própria alma. Mas ela ainda não está convencida. Ela sabe que no fim, ela mesma será o preço final que teremos que pagar. Por isso Deus o chama de louco. Ele negociara o inegociável.

O que fazer alguém que não tem com quem conversar, senão com sua própria alma? Ela fora tudo o que lhe restara. Mas naquela noite, ela seria pedida.

“Então, o que tens preparado, para quem será?”, pergunta o Criador.

Sendo aquela a sua última noite, de que serviria todos os seus bens? Embora esta seja uma questão pertinente, não é a que fora levantada por Jesus.

Não se trata de não poder desfrutar dos bens adquiridos, e sim, para quem seriam deixados.
Afinal, para quem estamos trabalhando o tempo inteiro?

Você já viu um caminhão de mudanças seguindo um carro fúnebre? Ou mesmo um caixão com gavetas? Ora, se não podemos levar nada deste mundo, para quem estamos deixando o fruto do nosso trabalho?

“Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele”
 (1 Tm.6:7).
Quantas pessoas têm sido abençoadas através daquilo que produzimos? Quantas serão beneficiadas quando deixarmos este mundo? Deixaremos apenas uma herança, ou também um legado?

Em vez de nos deixarmos consumir por um sonho de consumo, abracemos o sonho de deixarmos nossa contribuição particular por um mundo mais justo. Toda vez que estabelecemos um sonho de consumo como alvo de nossa existência, é a nossa alma que é consumida. Aos poucos ela é carcomida pela avareza e pelo auto-engano.

Não negocie sua alma. Não a penhore. É um preço que você não poderá cobrir depois.

Jesus termina Sua parábola dizendo que semelhante àquele homem “é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.

O problema
 não é ajuntar, e sim, ajuntar para si. Cristo nos convida a ajuntar tesouros no céu, e assim tornarmo-nos ricos para com Deus.

Como enviar uma remessa para o céu? Pelo que eu sabia, não há bancos por lá.

Jean Paul Sartre, o filósofo existencialista francês, diz que “o inferno é o outro”. Como ateu que era, Sartre não acreditava em céu nem inferno. Mas ele entendia que o abismo que nos separa do outro é tão grande, que seria impossível transpô-lo. Por isso, para ele a figura do outro era a representação do mais profundo abismo, o inferno. Na contramão deste tipo de existencialismo, o Evangelho parece nos indicar que o outro é o céu. Voltar-nos para o próximo é voltar-nos para Deus. Deixar nosso egoísmo para viver em função do bem comum é vivenciar o céu aqui na terra.

Toda vez que investimos em nosso próximo, estamos depositando em nossa conta celestial. Quando usamos os recursos de que dispomos em prol do futuro da humanidade, estamos depositando no banco do céu.

Por isso Paulo ordena que os ricos não ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, e que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, e que, assim, acumulem para si mesmos um BOM FUNDAMENTO PARA O FUTURO (1 Tm.6:17-19).

Quando nossa voz se calar, nosso legado falará por nós. Partiremos deste mundo, mas deixaremos um bom fundamento para o futuro, para que as próximas gerações edifiquem sobre ele.

Pensar apenas no aqui e agora é loucura aos olhos de Deus. Trabalhar visando apenas nosso aprazimento é no mínimo insensatez. Mas enfocar nossos esforços no bem comum é sabedoria do alto.

Se vivermos tais princípios de sabedoria, a única coisa que deixaremos além de um legado, será saudade.

sábado, 8 de janeiro de 2011

OS JARDINS DE DEUS


O belo sempre nos encanta. Nossos olhos são atraídos pelo paisagismo dos belos jardins que estão engrinaldados de flores. Tenho a convicção que você já sentiu este encantamento ao visitar um “stand” de um belo apartamento, que em sua estrutura contava com belos jardins e um lindo paisagismo. A Bíblia também fala de alguns jardins. Nesta reflexão destacaremos os três mais importantes:
1. O jardim do Éden (Gn 1-3).
A história da humanidade começa num jardim, o jardim do Éden. Lá nossos primeiros pais viveram na inocência, desfrutando de todas as belezas daquele jardim. Naquele jardim desfrutavam de plena e intima comunhão com Deus. Naquele jardim, não havia dor nem tristeza. Tudo era belo e encantador. O pecado, porém, entrou no mundo por meio de Adão. Ele desobedeceu a Deus, e toda a raça humana caiu nas teias do pecado. Adão foi expulso do jardim e viu a terra produzir espinhos, viu sua mulher dar à luz com dores e viu o trabalho, até então deleitoso, tornar-se penoso.
O jardim do Éden foi perdido, e a raça humana mergulhou numa história de rebelião, tristeza e morte. O pecado de Adão o separou da natureza, de si mesmo, do próximo e de Deus. O pecado trouxe transtornos na natureza, nos relacionamentos humanos, bem como na relação com Deus. A partir da entrada do pecado no mundo, a história está marcada por lágrimas, doença, sofrimento e morte.
2. O jardim da Cidade Celeste (Ap 21 – 22).
A história da humanidade terminará num outro jardim, o jardim da Cidade Celeste. O jardim perdido será restaurado. Lá não entrará nenhuma maldição. Lá o pecado não penetrará suas portas. Lá as lágrimas serão enxugadas. Lá o sofrimento, a doença e a morte não entrarão. Nesse jardim, não haverá noite, pois o Cordeiro de Deus é a sua lâmpada. Nesse jardim, o rio da água da vida vai fluir do trono de Deus. Nesse jardim, os que foram expulsos por causa do pecado, e agora estão lavados pelo sangue do Cordeiro e vestidos de vestiduras brancas, entoarão um novo cântico àquele que está assentado no trono.
Nesse jardim reconquistado, teremos um novo corpo, cheio de glória, semelhante ao corpo de Cristo. Neste jardim, viveremos e reinaremos com Cristo pelos séculos dos séculos. Ninguém poderá nos separar uns dos outros nem nos afastar da presença daquele que nos deu vida abundante e eterna. Nesse jardim, as belezas mais esplêndidas da terra serão figuras opacas diante do seu exuberante esplendor.
3. O jardim do Getsêmani (Mt 26.36-46).
A história da humanidade revela que entre esses dois jardins, o jardim do Éden e o jardim restaurado, há o jardim da agonia, o jardim do Getsêmani. É pela desolação, pelo sofrimento e sacrifício vicário de Cristo, pela indescritível angústia no Getsêmani, que o “rio da vida límpido como cristal”, corre nesse jardim restaurado. Sem o Getsêmani, não haveria a Nova Jerusalém.
O apóstolo Paulo diz: “[...] quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho [...]” (Rm 5.10). No jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou solidão. Ali ele ficou sozinho quando travou a mais terrível batalha do universo. Ali Ele suou sangue quando resoluta e voluntariamente se entregou por nós. No Getsêmani, a antiga serpente, que enganou Eva no jardim do Éden, teve sua cabeça esmagada. Ali Jesus aceitou de bom grado o cálice amargo, de se fazer pecado e maldição por nós, ao sofrer a dolorosa e maldita morte de cruz em nosso lugar.
Ali, o Cordeiro de Deus, não levou em conta a ignomínia da cruz por saber que a alegria que lhe estava proposta, a alegria de nos salvar e nos reconduzir de volta ao jardim de Deus, o jardim restaurado da Jerusalém celestial. A Bíblia diz que onde abundou o pecado, superabundou a graça. Pela sua morte, Cristo trouxe vida; pelo seu sacrifício, redenção. Agora, por meio do seu sangue, temos livre acesso à presença do Pai e, quando da sua vida, entraremos no jardim restaurado de Deus, onde estaremos para sempre com Ele. Aleluia!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?




Você já se viu no meio de uma disputa entre pessoas que deveriam se amar? Você já se sentiu pressionado a tomar partido por alguém, tendo que posicionar-se contra o outro que também é seu amigo?
Como administrar este tipo de conflito, onde ambos parecem ter razão?
Paulo se viu numa situação semelhante com os cristãos em Roma. De um lado da arena estavam os cristãos judeus, que traziam consigo toda uma bagagem cultural, tradições milenares, e uma boa dose de legalismo. Do outro lado estava os recém-chegados gentios, que abraçaram a fé em Jesus sem o ranço judaizante, porém tranzendo sua própria cosmovisão.
Era como se dois universos paralelos se colidissem. No meio dessa colisão estava Paulo, um judeu convertido a Cristo, que também usufria de cidadania romana. Quanto tato Paulo teve que ter para lidar com a situação! Quanto jogo de cintura! Ele não podia simplesmente tomar partido pelos judeus, ou pelos gentios. Seu trabalho seria promover a reconciliação pelo exercício da diplomacia. Poderia parecer até que estivesse em cima do muro, ou que fosse um homem de fronteiras, mas na verdade, era um reconciliador, um diplomata do reino.
Em vez de tomar partido, Paulo aponta as qualidades e vicissitudes de ambas as partes, convidando-as ao convívio amistoso patrocinado pelo amor.
A discussão ali girava em torno da dieta alimentar e da guarda de um dia santo (sábado), além da circuncisão. Para os crentes judeus, os gentios deveriam submeter-se a esses regulamentos para pertencer à comunidade cristã. Durante os primeiros capítulos da epístola endereçada aos romanos, Paulo deixa claro que para Deus não há diferença entre judeus e gentios. Ambos são carentes da mesma graça (Rm.3:22-29). Foram vários capítulos dedicados a demonstrar a inutilidade da justiça própria, e a caducidade de regras impostas pela lei, como por exemplo, a circuncisão.
Podia parecer que Paulo se colocara em favor dos gentios, e contra seu próprio povo. Mas como “pau que dá em Chico, também dá em Francisco”, chegara a hora de mirar o outro lado.
Referindo-se àqueles que já haviam compreendido a abrangência da graça, e que já não estavam sob o jugo da lei, Paulo diz:
“Ora, quanto ao que é fraco na fé, recebei-o, mas não para condená-lo em questões discutíveis" (Rm.14:1).
É claro que Paulo tinha uma posição firme acerca dessas coisas, porém, tais questões ainda eram “discutíveis” para aqueles que não as tinham compreendido plenamente.
“Um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes. O que come não despreze o que não come, e o que não come não julgue o que come, pois Deus o recebeu por seu"(vv.2-3).
Se da parte dos judeus, havia quem julgasse os gentios que não se submetiam às ordenanças da Lei, da parte dos gentios havia que desprezasse quem o fizesse. Ambos estavam igualmente errados. Ninguém tem o direito de julgar, tampouco de desprezar. O fato de havermos recebido uma compreensão mais acurada acerca da graça de Deus não nos faz melhores ou superiores àqueles que ainda não a receberam.
“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para o seu próprio Senhor ele está em pé ou cai. E estará firme, pois poderoso é Deus para o firmar" (v.4).
O que nos firma os pés não é o nível de conhecimento adquirido, e sim o fato de Deus nos ter recebido como Seus. Ele é que é poderoso para nos firmar. Por isso, não temos o direito de nos estribar em nosso próprio conhecimento. Muito mais do que conhecer a Deus, o que realmente importa é ser conhecido por Ele.
Paulo prossegue em seu argumento:
“Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, pois dá graças a Deus; e o que não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus" (vv.5-6).
Muito mais peso do que a ação em si tem a motivação por trás dela. Vejo pessoas que se abstém de certas coisas que a meu ver não têm qualquer valor. Posso discordar delas, mas não posso julgá-las. Só Deus conhece suas motivações. Não acho, por exemplo, que uma mulher que sirva a Deus necessite abrir mão de cuidar de sua aparência, freqüentando salão de beleza, academia, etc. Também não acredito que seja errado para um homem cuidar de sua aparência, e, principalmente de sua saúde. Mas não tenho direito de me sentir superior à quem prefere abster-se disso. Pois quem assim faz, para o Senhor o faz.
Posso discordar de certas práticas, mas não posso julgar a intenção de quem as adota. Posso até argumentar no afã de fazê-lo compreender um pouco mais dos desígnios de Deus, mas não me atrevo a sentir-me superior, mirando-o de cima pra baixo. Da mesma forma, tal pessoa não tem o direito de julgar-me por não adotar suas práticas.
Afinal, “nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor (...) De modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (vv.7-8, 12).
Tal postura, porém, não tem a pretensão de endossar ensinos legalistas que mantém as pessoas sob um jugo insuportável de regras e ordenanças. Em muitos textos Paulo simplesmente detona tais ensinos (Confira Fp.2:8-23). Mas aqui, Paulo não está falando com líderes, e sim com pessoas que precisam aprender a conviver com quem pensa de maneira diferente. Ele está tratando com uma comunidade heterogênea, onde seus membros teriam que aprender a co-existir pacificamente.
Para mantermos os elos que nos unem intactos, temos que aprender a lidar com as diferentes opiniões de maneira sóbria e modesta, sem jamais impor nossos pontos de vista. Veja o que ele diz mais sobre isso:
“Portanto, não nos julguemos mais uns aos outros. Antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesmo imunda. Mas se alguém a tem por imunda, então para esse é imunda"(vv.13-14).
Não é fácil lidar com subjetividade. Minhas certezas não devem servir de tropeço ou escândalo pra ninguém. Então, às vezes, é melhor abrir mão do direito de opinar, até que as pessoas tenham alcançado maturidade para entender o que agora não compreendem.
A liberdade que a graça me confere deve ser delimitada pelo amor que tenho a meus irmãos. Devo viver uma espiritualidade ex-cêntrica, isso é, em que o centro gravitacional não seja meu “eu”. Devo aprender a viver em função daqueles por quem Cristo morreu.
Se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não faças perecer por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu (…) Não destruas por causa da comida a obra de Deus" (v.15,20a).
Este princípio tem múltiplos aplicativos. Por exemplo: gosto de ir à praia com minha família. Não vejo qualquer mal nisso. Porém, se estou em meio a irmãos que se escandalizariam com isso, prefiro abster-me de algo que aprecio, só para não ser tropeço para os mais fracos de consciência. Não se trata de hipocrisia, mas de amor.
É claro que há assuntos que são centrais, e que não devem ser alvo de qualquer transigência. Porém, há outros que são, no dizer de Paulo, discutíveis. Deixemos, portanto, que o amor nos restrinja a liberdade, haja vista que o bem comum é mais importante do que o nosso bem-estar particular.
Se todos pensassem e agissem assim, de quantas divisões o Corpo de Cristo seria poupado? Quantas igrejas se dividiram por causa de assuntos periféricos? A quantidade de água ideal para o batismo, se o jejum deve ser total ou parcial, se o pão da Ceia deve ser ázimo ou não, se as mulheres podem ou não exercer cargos eclesiásticos, etc. E assim, destruímos a obra de Deus por causa de preferências pessoais.
É mais fácil renunciar a um vício do que renunciar ao direito de ter razão. Ninguém quer dar o braço a torcer! Porém, no reino de Deus, quem vence não é quem tem razão, mas quem tem amor, não é quem dá a última palavra, mas quem se silencia para não causar escândalo.
Paulo prossegue:
"Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação. Pois também Cristo não agradou a si mesmo" (Rm. 15:1-3a).
Muitas das discussões e desavenças na igreja não se dão por amor à verdade, mas por amor próprio. Todos querem provar que estavam certos, e em contrapartida, o outro lado estava errado. Só o amor nos faz enxergar o outro dentro de sua própria ótica, levando em consideração seu background, seu histórico, e as circunstâncias em que vive. É relativamente fácil julgar a árvore pelos frutos, mas quem se dá ao trabalho de avaliar primeiro suas raízes? Em que terreno ela foi plantada? Como foi cultivada?
Só poderemos abrir mão de termos sempre a razão quando formos batizados no amor. E será este amor que nos concederá uma boa dose de paciência para que suportemos a fraqueza uns dos outros. Paulo arremata:
“Ora, o Deus de paciência e consolação vos conceda o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Cristo Jesus, para que, concordes e a uma voz, glorifiqueis ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, recebei-vos uns aos outros, como também Cristo vos recebeu para a glória de Deus"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

SENDO OVELHA DO SUMO PASTOR


Se o Senhor for o teu pastor...

Não te faltará descanso... Pois Ele te fará deitar em verdes pastos!

Interessante notar que o salmista coloca o descanso como um ítem prioritário. A Lei Mosaica estabelecia que o dia de descanso era o último da semana (Sabath). Primeiro vinha o trabalho, depois o respouso. Davi inverte isso propositadamente. Como que por uma inspiracão profética, antevendo a Era da Graça, quando o descanso viria em primeiro lugar. Não foi em vão que os cristãos primitivos elegeram o domingo, o primeiro dia da semana, como o Dia do Descanso, o sabath cristão. Não se trata de mero ócio, mas de uma postura espiritual, onde se cultiva a total dependência da graça divina, em vez de creditar nossas realizações aos esforços pessoais. Isaías, o profeta da Era Messiânica, diz: "Em vos converterdes e em repousardes está a vossa salvação, no sossego e na confiança está a vossa força"(Is.30:15).

Porém, este descanso se dá quando somos levados aos pastos verdejantes. Atentemos para o fato de que Davi está desenvolvendo uma analogia, onde Deus é o pastor, e nós Suas ovelhas. As ovelhas costumam descansar no mesmo lugar onde se alimentam. Elas literalmente se deitam sobre a comida. Elas não aceitam capim arrancado pelo pastor, quer estejam ainda verdes, ou já secos. Elas se alimentam do capim extraído diretamente do solo, com raiz e tudo. Assim também, só encontraremos descanso quando bem alimentados com a Palavra da Vida. Como disse Jesus:"Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus".Temos, portanto, que examinar a procedência daquilo com que temos alimentado a nossa alma. Não podemos deixar que ninguém rumine por nós. Temos que extrair nosso alimento diretamente do solo. E para isso, devemos nos debruçar sobre as Escrituras, na dependência do Espírito Santo. Não significa que não necessitemos de orientação espiritual. Isso é indispensável, como veremos a seguir. O papel dos líderes/mentores é tão somente expor o alimento, a verdade, mas deixar que a ovelha pense por si mesma.

Para comprovar a qualidade do alimento espiritual, basta verificar se o que ele produz é descanso, crescimento, maturidade, ou rebeldia, revolta e imaturidade. Somos aquilo que comemos!

Se o Senhor for o teu pastor...

Não te faltará tranqüilidade... Pois Ele te guiará às águas tranqüilas e refrigerará a tua alma, te fazendo recobrar as forças e o ânimo. Ele não nos mete em canoa furada! Não nos leva às águas turbulentas, tempestivas, mas às águas da serenidade. Ninguém suporta viver sob pressão o tempo inteiro. Precisamos de refrigério que só as águas do Espírito Santo podem nos proporcionar. Aos que vivem sob a égide do estresse, Jesus convida: "Vinde a mim os que estais cansados, sobrecarregados, eu vos aliviarei".

Não te faltará retidão de caráter e decisões acertadas. Ele te guiará pelas veredas da justiça por amor ao Seu nome. Que teu propósito para o novo ano seja errar menos e acertar mais. E para isso, não faça nada sem antes consultá-lo em oração. Ele te guiará os pés pelas sendas da ética e da justiça. Lembre-se, para Ele, o que vale não é o que "dá certo", e sim o que "é certo". Submeta todas as suas decisões ao escrutíneo da Lei Suprema do Amor. E que assim, tua vida renda louvores ao nome de Deus, em vez de escândalos e vergonha. Que façamos jus ao título de "cristãos".

Também não te faltará momentos sombrios e perigosos... Mas ainda que tu enfrentes a possibilidade da morte repentina, não terás medo, porque Deus está contigo. E em face às ameaças, o Bom Pastor sairá em tua defesa com Sua vara. E se porventura caíres, Ele te socorrerá com Seu cajado. O cajado é uma haste cumprida, em cuja ponta há uma curvatura desenhada anatomicamente para socorrer a ovelha quando houver caído em algum precipício.

Tampouco te faltará disciplina e correção, pois a mesma vara usada para afugentar os lobos, é usada para disciplinar a ovelha rebelde para mantê-la no caminho certo. Jamais te esqueças que Deus disciplina àqueles que ama (Hb.12:6). E a disciplina aplicada por Deus é sempre motivada pelo amor. Deus jamais tem raiva dos Seus filhos! Ao discipliná-los, Deus simplesmente permite a eles colherem o que semearam. Portanto, sejamos mais responsáveis e menos inconseqüentes.

Não te faltará inimigos... Isso mesmo... INIMIGOS! Eles ajudam a compor o cenário de tua vida e enriquecem tua biografia. Não te faltará nem inimigos declarados, nem inimigos disfarçados de amigos. Não faltará traições, conspirações, falsidade. Porém Deus te praparará um banquete na presença de todos eles. E sabe pra quê? Pra que tu compartilhes com eles o teu pão. Lembre-te: Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber (Rm.12:20). E desta forma, cumpre-se o que está escrito: "Sendo os caminhos do homem agradáveis ao Senhor, até a seus inimigos faz que tenham paz com ele" (Pv.16:7). E não duvide de que Ele é capaz de transformar inimigos em amigos leais pra toda a vida.

Não faltará unção sobre ti, nem vinho em teu cálice. Teus inimigos e amigos serão testemunhas de quando Deus te ungir a cabeça com óleo, e fizer teu cálice transbordar. Sabedoria e alegria te arrebatarão. Sabedoria pra discernir cada novo momento de tua vida e alegria e entusiasmo para superar os momentos difíceis, e desfrutar os momentos de realização.

Estejas certo que a bondade e o amor de Deus estarão em teu encalço todos os dias de 2011, e pelo resto de tua vida. E estejas onde estiveres, o Senhor será a tua habitação para sempre.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

CURA PARA AS FRUSTRAÇÕES


MAIS UM ANO CHEGA AO FIM, TRAZENDO NAS NOSSAS VIDAS MUITOS SENTIMENTOS;
PARA UNS, UM DOCE SABOR DE VITÓRIA: SONHOS REALIZADOS, PROMESSAS CUMPRIDAS.
PARA OUTROS PORÉM ESSE FIM DE ANO PODE SER APENAS MAIS UM DE TANTOS OUTROS COM SABOR AMARGO DE DERROTA E FRUSTRAÇÃO, SE PARA VOCÊ ESSE FIM DE ANO TEM ESSE SABOR, QUERO TE DIZER: NÃO DESANIME!!
APROVEITE ESSE TEMPO PARA FAZER UMA ANÁLISE DA SUA VIDA, QUEM SABE SUAS FRUSTRAÇÕES NÃO TEM NADA HAVER COM DEUS, E SIM COM VOCÊ MESMO E COM SUAS ATITUDES.
NO LIVRO DO PROFETA JEREMIAS 17; 6  O SENHOR DEIXA UMA PALAVRA FORTE PARA NOS CURAR DE TODA FRUSTRAÇÃO E SENTIMENTO DE DERROTA : O SEGREDO É:

''BEM AVENTURADO É O VARÃO QUE CONFIA NO SENHOR, E CUJA FORÇA É O  SENHOR''

1°- POR SUAS EXPECTATIVAS TÃO SOMENTE EM DEUS!!! PARE DE CONFIAR E ACREDITAR EM PROMESSAS HUMANAS! DEUS QUER QUE VOCÊ SEJA CURADO DA MALDIÇÃO DAS EXPECTATIVAS.

''POIS ELE SERÁ COMO ÁRVORE PLANTADA JUNTO AOS RIOS''...

2° ESTAR PLANTADO JUNTO AOS RIOS, FALA DE TOTAL DEPENDÊNCIA DE DEUS, É ESTAR JUNTO DO RIO QUE EMANA DO SANTUÁRIO ( Sl 46 ), BEBENDO DA FONTE QUE É O PRÓRIO DEUS, COMO DISSE JESUS: '' TODO AQUELE QUE TEM SEDE VENHA A MIM E BEBA DE GRAÇA...( Jo 7;37 ).

" ESTENDE SUAS RAÍZES PARA O RIBEIRO''...

3° - FALA DE CRIAR RAÍZES EM DEUS, SE APROFUNDAR NO SOLO DO EVANGELHO.
Os 6;3, CONHEÇAMOS E PROSSIGAMOS EM CONHECER AO SENHOR ; AVANÇAR PARA AQUILO QUE FOI CHAMADO ( Fp 3;13 ), NÃO MAIS MENINO ( I Co 13 )MAS ADULTO COM RAÍZES, NÃO SENDO DERRUBADO POR QUALQUER  VENTO, MAS PERMANECENDO NELE.
''SE PERMANECERDES EM MIM , E A MINHA PALAVRA PERMANECER EM VÓS, PEDIREIS TUDO  O QUE QUISERES E LHES SERÁ  CONCEDIDO'' ( Jo 15 ).

'' NÂO TEME QUANDO VEM O CALOR''

4°- CALOR FALA DO SOL DA JUSTIÇA, FALA DO JUÍZO DE DEUS SOBRE TODOS, E COMO DIZ PEDRO, '' É TEMPO QUE O JUÍZO COMEÇE PELA CASA DE DEUS, MUITOS DESANIMÃO E DESISTEM DIANTE DA DISCIPLINA DE DEUS, POIS O JUÍZO DE DEUS PARA A SUA IGREJA FALA DE DISCIPLINA, E FILHOS PRECISAM DELA.
QUEM TEM A SUA CONFIANÇA EM DEUS SABE DISCERNIR A DISCIPLINA DO TODO PODEROSO,E SABE QUE NÃO É PRA MORTE ( desanimar ) MAS PARA QUE SEJAMOS PARTICIPANTES  DA SUA SANTIDADE.( Hb 12 )

" A SUA FOLHA ESTÁ SEMPRE VERDE, NÃO TEME A SECA E NUNCA DEIXA DE DAR FRUTO''

5°-  ESTÁ SEMPRE COM A FORÇA SENDO RENOVADA ( folha verde), POIS ''TEM RAÍZES EM DEUS'', E ''BEBE DA FONTE", TEM DISCERNIMENTO; NÃO VIVE UM EVANGELHO TRIUNFALISTA( vai dar tudo certo da minha maneira sempre ), MAS SABE SEGUNDO PAULO ENSINOU EM Ef 6 , QUE O DIA MAU PODE CHEGAR A TODOS, E ESTÁ PREPARADO PARA ATRAVESSA-LO( nâo teme a seca), E A SEMELHANÇA DE JOSÉ NO EGITO É PREVINIDO, TEM '' DEPÓSITO COM DEUS APESAR DA "SECA'' OU ''VACA MAGRA'', NÃO DEIXA DE DAR FRUTO,
NÃO PARA DE SERVIR AO REINO DE DEUS POR CONTA DE LUTAS OU PROVAÇÕES,
POIS TEM SEMPRE EM MENTE O ENSINAMENTO DE PAULO QUE DIZ : '' POIS TENHO PRA MIM QUE, AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE NÃO SE  PODEM COMPARAR COM A GLÓRIA QUE HÀ DE SER REVELADA''( Rm 8;18 ).

QUE VOCÊ POSSA DEIXAR TODO DESÂNIMO, E FRUSTRAÇÃO DE LADO E TOMAR POSSE DA PALAVRA DE DEUS PARA SUA VIDA. PERSEVERE NESTE 2011. POIS O MELHOR DE DEUS AINDA ESTÁ POR VIR SOBRE VOCÊ.

NELE, EM QUEM ACHAMOS GRAÇA E FAVOR                             

 PR. ARNALDO ALMEIDA


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

DEUS REPOUSAVA NA MANJEDOURA






Por Ricardo Godim

Há algum tempo, intrigado, comecei a questionar porque Jesus Cristo escandalizou fariseus, saduceus e doutores da lei. Nenhuma novidade me ocorreu: há séculos os judeus aguardavam o Messias. Eles viviam na expectativa política de que um Ungido se levantaria em nome de Deus. Nos setores mais politizados, o Messias viria como o grande libertador – uma encarnação melhorada e glorificada de Moisés; um Dom Sebastião dos tempos antigos. Para segmentos religiosos ortodoxos, o Messias chegaria para renovar os princípios da Torá. O cumprimento da Lei representaria uma renovação espiritual que resgataria o povo para um novo tempo.
Mas além dessa grande espera, Paulo também diz que Jesus foi loucura para os gregos. O Nazareno se revelou um retumbante fracasso porque nunca deixou colar nele as expectativas judaicas e depois, nem as gregas, sobre as ações da divindade. Via-se claramente que em Jesus Deus não se parecia com o Movedor Imóvel de Aristóteles. Ele colocava teologia e filosofia de ponta cabeça.
Se o Deus dos fariseus zelava pelo cumprimento estrito da lei, Jesus a tornava flexível pela misericórdia. Quando perdoou a mulher apanhada no próprio ato do adultério, deixou claro que o poder do amor dobra a rigidez da lei: “Onde estão os teus acusadores. Eu não te condeno, vá em paz e não peques mais”. Nos casos da siro-fenícia, do centurião romano, da “impura” devido a uma menstruação crônica, do endemoninhado gadareno, do cego da calçada, fica claro que qualquer um pode aproximar-se de Deus sem exigências ou protocolos religiosos. Quando Jesus estava por perto, esvaziava-se a ideia de “não-eleito”.
Jesus não comparou Deus a um fiscal punitivo, mas a um pai machucado. No alpendre, enquanto espera a volta do filho perdido, os olhos úmidos do pai eram os olhos de Deus. Sim, mesmo desolado, o velho corre ao encontro do filho sujo, mal cheiroso e o cobre de beijos.
Ricardo Peter intuiu corretamente o porquê do ódio dos fariseus contra Jesus:
Os fariseus começaram a perceber que Jesus estava mudando radicalmente a maneira de entender quem é Deus. Este Deus teria podido provocar confusão e dispersão entre as pessoas religiosas. O comportamento do Deus anunciado por Jesus, do Deus que demonstra um amor incondicionado pelos pecadores, começava a colocar o Deus dos fariseus na sombra. Tinha início uma luta de ‘Deus contra Deus.
A religião judaica antecipara um Deus mais forte que os antigos baalins, que causaram tanto problema. Jesus andou na contramão, ele tomou sobre si a fragilidade dos serviçais. Os conteúdos de sua causa não lidavam com poder, mas com serviço. Os tempos exigiam um líder que convocasse exércitos com a força letal superior às legiões romanas. Mas o Galileu preferia colocar uma criança no colo e dizer: “Dos tais é o Reino de Deus”.
A ambição era posicionar Israel como nação líder. O messias, certamente, vingaria séculos de opressão impostos por egípcios, persas, gregos e romanos. Mas eis que ele abriu o rolo da lei numa sinagoga e leu: “O Espírito do Senhor está sobre mim e ele me ungiu para pregar boas notícias aos pobres”. Se um homem assim, radicalmente humano, comprometido com a escória do mundo, se dizia a expressa imagem de Deus, tal homem precisava ser assassinado. Um Deus fraco não servia aos interesses da religião – como ainda não serve.
Além desta enorme decepção entre os semitas, os gregos também se horrorizaram. Se Deus encarnou assim, como sustentar as ideias de Aristóteles? Jesus não se assemelhava em nada com o conceito de Deus como “Ato Puro” ou como “Motor Imóvel”. O Rabi de Cafarnaum se movia de “viscerais afetos” por uma viúva a caminho de enterrar o filho, chorava diante da sepultura do amigo (a dor de homens e de mulheres dói em Deus; Isaías é enfático- 63.9 -: “Em toda a angústia deles, foi ele angustiado”.), irritava-se quando a religião oprimia e se deixava molhar pelas lágrimas de uma prostituta. Deus não se mostrara apático.
Volto a Ricardo Peter com sua intuição sobre a revelação de Deus que Jesus brindou o mundo:
O Deus de Jesus assume o humano a tal ponto que liberta o homem da exigência de ser como Deus. Deus contém em si, agora o máximo de humanidade. Deus encontra-se imerso no humano. O ‘Reino’ de Jesus não requer seres excepcionais, melhores que o ‘resto dos homens’, que se preocupam em ser por eles contaminados.
Mas, o que verdadeiramente escandalizou no Deus que Jesus revelava foi sua tremenda inconsistência. Como assim, Deus inconstante? Misericórdia é sempre uma tremenda inconstância. A inconsistência de Deus em reverter sentenças, em anular destinos, em refazer histórias, em anular tragédias, foi a marca mais exuberante da vida de Cristo. Até o fato de seu ensino ser vazio de dogmatismos, desestabilizava qualquer teologia. E talvez tenha sido este o pingo que entornou a taça da ira dos fariseus: o Deus inabalável, rigoroso e severo do Antigo Testamento estava ausente nas palavras, gestos e atitudes do filho de Maria.
Ainda hoje, os que distinguem entre o Deus dos fariseus e o Deus de Jesus acharão boas razões para decretar sua morte. O reino que ele inaugurou entre os homens não encontra paralelo com os reinos deste mundo. Seus ensinos não são codificáveis.
Portanto, o Deus que nasceu em uma manjedoura continuará despercebido dos poderosos. Ele só será notado nas realidades singelas e pequenas: grãos de mostarda, meninos e meninas, ovelhas indefesas, desempregados em calçadas, servos inúteis, indignos, filhos pródigos, prostitutas, leprosos, cegos, mendigos, estrangeiros, soldados e exorcistas informais.
Deus poderia escolher muitas maneiras para mostrar-se real, mas preferiu nascer em uma periferia esquecida; optou viver de um jeito que pode ser, poeticamente, comparado ao de um cordeiro. 
Depois de séculos, ainda vale a pena celebrar um natal desses.
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