Davi foi o monarca mais famoso da história de Israel, mas há um aspecto de sua vida quase desconhecido. Davi foi ungido Rei... Três vezes. E, em cada uma de suas três unções, aspectos de sua conduta revelam o tipo de caráter que Deus busca em seus escolhidos.
A MARCA DA PRIMEIRA UNÇÃO: TRABALHO
Quando Samuel visita a casa de Jessé e conhece todos seus filhos (não encontrando, entre eles o escolhido de Deus), lhe pergunta: “Acabaram-se os teus filhos?”. Jessé respondeu: “Ainda tenho o caçula, mas ele está no campo, cuidando das ovelhas” (1 Samuel 16:11). Há muitas pessoas na igreja esperando que a liderança lhes “dê uma oportunidade” para poderem, enfim, trabalhar. A desculpa para a ociosidade é: Ninguém me dá oportunidade. Todos querem receber a “unção”. Muitos ficam esperando por ela. Poucos estão trabalhando e cuidando dos negócios do Pai, como fazia Davi. Certamente Jessé não era pai de um bando de desocupados. É provável que os irmãos de Davi também estivessem trabalhando. Davi, com certeza, estava. Mas sua ocupação não o impediu de receber a unção. O profeta Samuel fez questão de só dar início ao sacrifício APÓS o retorno de Davi do campo. Assim é que, ainda que o trabalho EM SI, não garanta a unção, certo é que Deus NÃO UNGE DESOCUPADOS. E até espera por eles. Nenhum “à toa” é ungido por Deus.
ENTRE A PROMESSA E A REALIZAÇÃO
De volta às ovelhas - Samuel foi embora e cada um voltou a sua rotina e Davi, a dele. Mas já não era mais o mesmo. O Espírito do Senhor se apoderara dele. Quando somos ungidos por Deus, a primeira mudança se dá em nosso interior. Somos tomados por um sentido de missão e destino ao ponto em que, mesmo que voltemos aos trabalhos de rotina, sabemos que já iniciamos o caminho para um propósito maior.
Notoriedade e perseguição - Há muitos que pensam: “Agora que sou ungido, Deus vai me colocar numa posição de destaque”. Davi, de fato, obteve “notoriedade” (1 Sm 16:17,18). A unção atrai a missão. Não demorou até que súditos de Saul ouvissem falar de Davi e o recomendassem para servir no palácio real. Mas a “fama” se fará acompanhar de conflitos e perseguições. Davi sofreu com irmãos enciumados e um rei descontrolado atirando-lhe lanças em acessos de fúria.
Antes do trono: harpas e queijos – Todo ungido recebe uma missão. E a primeira missão de Davi foi tocar harpa para exorcizar os demônios do rei Saul (1Sm 16:19). Em seguida, o pai o mandou ao campo de batalha para levar alimento aos irmãos. Primeiro Davi teve que carregar pães e queijos para servir soldados de um exército que, no futuro, ele iria comandar. Como reagiríamos se, depois de sermos ungidos por Deus, recebêssemos dele a missão de sermos tocadores de harpa e meros carregadores de queijo?
A MARCA DA SEGUNDA UNÇÃO: DIREÇÃO DIVINA
Saul era morto. O trono estava desocupado. Davi, o sucessor escolhido, poderia reivindicar sua coroa, mas ele não se antecipa à ordem divina. As circunstâncias podiam estar dizendo: “Essa é a hora”, mas Davi não age sem ter certeza.
Passado algum tempo, Davi perguntou ao Senhor: Devo ir para uma das cidades de Judá? O Senhor respondeu que sim, e Davi perguntou para qual delas. “Para Hebrom”, respondeu o Senhor. (2 Samuel 2:1)
A MARCA DA TERCEIRA UNÇÃO: CELEBRAÇÃO DE ALIANÇAS
Então todas as autoridades de Israel foram ao encontro do rei Davi em Hebrom e o rei fez aliança com eles perante o Senhor, e eles ungiram Davi rei de Israel. (2 Samuel 5:3)
Davi era o sucessor escolhido por Deus e as autoridades de Israel sabiam disso:
“No passado, mesmo quando Saul era rei, eras tu quem liderava Israel em suas batalhas. E o Senhor te disse: Você pastoreará Israel, o meu povo, e será o seu governante” (2 Samuel 5:2)
Entretanto, após a morte de Saul, essas mesmas autoridades aceitaram ungir Is-Bosete, filho de Saul, rei sobre Israel. Após dois anos de conflito civil (que culminou no assassinato de Is-Bosete, além de muitas outras mortes), os líderes de Israel reconheceram que Davi era o legítimo herdeiro do trono. Em resposta Davi não mostrou ressentimento ou espírito vingativo, mas celebrou uma aliança com eles. O que se vê hoje em muitas igrejas é um espírito bastante diferente. Uma incapacidade de estender a mão a quem, outrora, tenha criado algum obstáculo ou desacreditado do ungido de Deus.
UNS SÃO, OUTROS NÃO
Há ungidos e “ungidos”. A imagem mais comum quando se fala de um irmão “ungido” é a do sujeito que ora e jejua sem parar e tem visões e revelações frequentemente. A marca de Davi, o “triungido”, é a marca do trabalho, do serviço ao próximo,da humildade e da disposição para aliançar-se a antigos desafetos e até mesmo honrar um rei neurótico como Saul. Um comportamento bastante semelhante ao modelo mor de todo cristão: Jesus Cristo. E vale a pena lembrar: “Cristo” é o termo grego para “Ungido”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário